Este conto foi escrito como complementação ao conto "Sangue Maldito", de Flávio de Souza.
Nasci no dia de minha morte!
Ah, por que nascer quando a morte é apenas o sono sem sonhos em um repouso eterno? E se pudéssemos escolher? E se você soubesse? E se você se lembrasse? Você escolheria a vida? Ou apenas o sono eterno?
Cada instante deste suplício permanece em minha mente. Quem poderá dizer que se lembra do próprio nascimento? Do instante derradeiro no qual abre os olhos para vida e existir torna-se enfim o seu conflito? Pois eu me lembro e as lembranças desse sono do qual despertei retornam a mim com assombro. No principio havia apenas a escuridão. Um longo e profundo negrume me envolvia enquanto uma febre rubra tomava meus poros. A dor confundia-se com a fome e eu permanecia encolhido em posição fetal, me contorcendo em meio aos sonhos e mistérios de uma existência fantástica. A longa escuridão foi meu berço. As trevas geravam uma nova criatura e o mundo lá fora, em seu estranho frenesi, talvez nem soubesse.
A febre corroía-me as entranhas como se um fogo líquido estivesse passando entre as veias. Alguns momentos haviam sido insuportáveis e lamentei longamente, no limbo da semiconsciência, implorando para permanecer no escuro, implorando pela morte. Mas ela não viria. Não mais. A eterna escuridão continuaria comigo.
A energia pulsando em meu sangue maldito ensinava pelo instinto a razão de uma vida de estranheza, de uma breve existência como um corpo estranho encravado na sociedade em que cresci. A certeza de nunca haver de fato existido foi meu primeiro pensamento. E então gritei.
Gritei e na dor, despertei enfim. Foi meu salto na escuridão.
Ah, abri meus olhos a um abismo extasiante de prazeres e sombras mórbidas. Meu primeiro impulso foi correr pela noite, mas ao mesmo tempo, sentia-me fraco, sufocado pelas sensações e cores de um mundo novo. Naquela noite, apenas meu lamento longínquo percorreu a escuridão, trêmulo e horrendo. Os insones, os sonhadores, os seres da madrugada arrepiaram-se e encolheram-se, pois pressentiam que algo nefasto estava à solta. Naquele lamento, um mal horrendo se vislumbrava e nada, nada seria como antes.
Ah, por que nascer quando a morte é apenas o sono sem sonhos em um repouso eterno? E se pudéssemos escolher? E se você soubesse? E se você se lembrasse? Você escolheria a vida? Ou apenas o sono eterno?
Cada instante deste suplício permanece em minha mente. Quem poderá dizer que se lembra do próprio nascimento? Do instante derradeiro no qual abre os olhos para vida e existir torna-se enfim o seu conflito? Pois eu me lembro e as lembranças desse sono do qual despertei retornam a mim com assombro. No principio havia apenas a escuridão. Um longo e profundo negrume me envolvia enquanto uma febre rubra tomava meus poros. A dor confundia-se com a fome e eu permanecia encolhido em posição fetal, me contorcendo em meio aos sonhos e mistérios de uma existência fantástica. A longa escuridão foi meu berço. As trevas geravam uma nova criatura e o mundo lá fora, em seu estranho frenesi, talvez nem soubesse.
A febre corroía-me as entranhas como se um fogo líquido estivesse passando entre as veias. Alguns momentos haviam sido insuportáveis e lamentei longamente, no limbo da semiconsciência, implorando para permanecer no escuro, implorando pela morte. Mas ela não viria. Não mais. A eterna escuridão continuaria comigo.
A energia pulsando em meu sangue maldito ensinava pelo instinto a razão de uma vida de estranheza, de uma breve existência como um corpo estranho encravado na sociedade em que cresci. A certeza de nunca haver de fato existido foi meu primeiro pensamento. E então gritei.
Gritei e na dor, despertei enfim. Foi meu salto na escuridão.
Ah, abri meus olhos a um abismo extasiante de prazeres e sombras mórbidas. Meu primeiro impulso foi correr pela noite, mas ao mesmo tempo, sentia-me fraco, sufocado pelas sensações e cores de um mundo novo. Naquela noite, apenas meu lamento longínquo percorreu a escuridão, trêmulo e horrendo. Os insones, os sonhadores, os seres da madrugada arrepiaram-se e encolheram-se, pois pressentiam que algo nefasto estava à solta. Naquele lamento, um mal horrendo se vislumbrava e nada, nada seria como antes.