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fotograma II


fotograma II

Tânia Souza


uma mulher dorme na varanda
no aconchego da rede
o útero o lago o morno abraço
dorme no embalo amniótico da tarde

redemoinhos de agosto
trazem sacis viajantes e ela dorme

no sonho da mulher a tarde arde
louças e panelas dançam sobre a pia
dia à revelia, fina rebeldia
hoje, não tem jantar
e quando lua bonita vier
uma mulher desperta Outra



Do meu livro "Entre as rendas dos ossos e outros sonhos desabitados" Editora Venas Abiertas na 2ª Coleção Mulherio das Letras


Quem tem medo de Saci?


Quem tem medo de Saci?

Se meu assovio está perto...
estou bem longe daqui!
Se meu assovio está longe...
tem cuidado, meu guri!
Saci, Saci, Saci... sou sim!

Dos causos e lendas da fronteira de MS, conta-se que quanto mais próximo o assovio, mais seguro o viajante deve se sentir: o Saci está longe, mas caso ouça como algo bem distante, cuidado, cuidado, o Saci estará praticamente ao seu lado.

Quando o Saci encontra os mestres do terror! 

Saci Saci


Saci saci  

No sítio do Seu Domingos
Certa noite fomos dormir
Acordamos assustados
Muito barulho por ali

De longe eu só ouvia
O assovio que arrepia
Era ainda tão guria
Na cama tremia

Os bichos espantados
A noite inteira de andanças
Os cavalos relinchavam
Lá fora estranhas festanças

Quando o sol nasceu
Foi aquela danação
No galinheiro um alvoroço
Penas por todo lado
E no pasto muito mais
O gado assustado
O Cocho virado
O Portão destravado
O Leite estragado
Tudo fora do lugar

Foi Saci, foi Saci, foi sim
Saci saci, vá para longe daqui
E Dona Domingas se benzia
Vendo as crinas trançadas
Dos cavalos suados

Foi o seu Tonho da Porteira
Que apareceu com a solução
Deixar naquela noite
De aguardente uma porção
De fumo do bom um montão
E tudo bem arrumadinho
Para contentar o brincalhão

E foi assim, foi sim, foi sim
Que no sitio dos Domingos
Nunca mais houve confusão

Tânia Souza