Escrevo como quem tem febre, como quem ri, como
quem chora;
Escrevo como quem tem fome, tem sede, como quem
chega e também vai se embora;
Escrevo como quem espera, como quem corre, como
quem cora, como quem tem vergonha, gagueja, gargalha e se atrapalha.
Escrevo como quem tem sono, tem sonhos, tem
lágrimas e nunca teve catapora.
Escrevo como quem pede, manda e também implora.
Escrevo como quem tem pena,
tem orgulho, tem medo, tem raiva, e também amor que dilacera;
Escrevo bem, escrevo mal, escrevo a qualquer hora e
até mesmo quando me faltam acentos, vírgulas e palavras.
Escrevo com dor na garganta, com sono, com
preguiça, com vontade, com mentiras e verdades.
Escrevo até quando não escrevo, como quem descobre
reticências pela vida afora...
E quando vejo, escrevo enfim porque já me resta
outra opção além de escrever escrever e escrever... deve ser porque quando
escrevo, eu posso ser.
Tânia Souza
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O Cavaleiro Inexistente - Citação
A página tem o seu bem só quando é virada e há a vida por trás que impulsiona e desoderna todas as folhas do livro. A pena corre empurrada pelo mesmo prazer que nos faz correr pelas estradas. O capítulo que começamos e ainda não sabemos que a história que vamos contar é como a encruzilhada que superamos ao sair do convento e não sabemos se nos vai colocar diante de um dragão, um exército bárbaro, uma ilha encantada, um novo amor.
O Cavaleiro Inexistente - Italo Calvino
de(s)palavras de um dia qualquer
de(s)palavras de um dia qualquer
ah, esses dias quebradiços
me arrastam em cacos pelos corredores
de um tédio tão antigo
quanto a alma que perdi
tatuada em mim a impressão
de todas as palavras ditas
tão vazias de sentido
e vãs tantas
talvez melhor caladas,
embargadas e não-verbalizadas
e que a moça no espelho olvidasse de vez
todo delírio de poementar quimeras
poeta, eu?
eu, poeta?
eu que já não me acho e já não me há espaço
nessas velhas palavras que já não me cabem
eu que-em-dente-carne-sangro-me
em resquícios de verves viciadas
essas inocentes palavras
expostas e nuas nas esquinas
enquanto sorvem, bêbadas,
moedas de troca
de um sonho qualquer
essas debochadas palavras
elas que se dão a uns e a outros
permissivas e lascivas
ofegantes de becos e espelhos
elas que se arrastam no lodo e na infâmia
e sempre com a mesma doçura
desvendam aquarelas ao entardecer
e eu que de longe apenas espio
desaprendida de ser
poeta
eu?
letral
um sonho orgíaco dancei com versos embebidos em mel e sal
palavras ousadas deslizavam em alternância
diante dos meus olhos inquietos de rebuscas antigais
outras tocavam-se
e arrepios líricos enchiam lágrimas em olhos sedentos
cada palavra, áspera, vã ou pessegal beijava meus lábios
que se queriam cerrados/calados
ou ofertando risos cálidos e claros
invadi-me nuvem aspiral
danças esquizofrênicas
lambendo violinos de rasgantes doçuras
meu corpo desviou-se em orgasmos líricos
desdobrando-me prazer letrais
e as palavras que eu desejei em suspiros gráficos?
ocultavam-se em risos brincantes
provocavam meus anseios de liras ancestrais,
estipulavam desafios, assoprando que gritasse
num murmúrio agônico minha ânsia tátil
ah! e o poemas diziam-me de faces coradas...
escorriam versos em minha epiderme
ah, tocar as palavras
sentir suas pétalas agudas entranhando se em mim
eu as vi!
vi suas constâncias artes
estas palavras que não me deixam
tautologias percorrentes
e num poetar ainda que disfarçadas
insurgindo-se pois têm vidas estas palavras
e gritei re-afirmando que se ocultem
ora, que voltassem para os recônditos dos dizeres da infância
ou aos beijos molhados da adolescência.
não viram que estou por outros caminhos?
gargalharam de minhas tolas meiguices
e tive desejos de agarrar e descobrir suas entranhas,
mas ressurgiram e insurgem-se semprequando as vejo ali estão cravadas e flutuantes
e mostraram-me seus dentes coloridos a rir-se
ah, minhas ingênuas desditas...
alternâncias sem pudores entres luz e sombra
e deixei por fim que chegassem a mim.
sussurrantes e irônicas..
ser! afoita transformação sem desdizer-me.
gemidos gentis volutando renasceres...
toquei a verde face de tuas palavras em rimas cúbicas
deliciei-me com nossos murmúrios ébrios
e descaradamente o poema segredante
timpanou meus sentidos em ácidos delírios
despertar-me em ânsias por chãos de papiro
e orvalhar meus dedos líricos
e num suspiro de verborragias oníricas
adormecer em meus descaminhos
palavras ousadas deslizavam em alternância
diante dos meus olhos inquietos de rebuscas antigais
outras tocavam-se
e arrepios líricos enchiam lágrimas em olhos sedentos
cada palavra, áspera, vã ou pessegal beijava meus lábios
que se queriam cerrados/calados
ou ofertando risos cálidos e claros
invadi-me nuvem aspiral
danças esquizofrênicas
lambendo violinos de rasgantes doçuras
meu corpo desviou-se em orgasmos líricos
desdobrando-me prazer letrais
e as palavras que eu desejei em suspiros gráficos?
ocultavam-se em risos brincantes
provocavam meus anseios de liras ancestrais,
estipulavam desafios, assoprando que gritasse
num murmúrio agônico minha ânsia tátil
ah! e o poemas diziam-me de faces coradas...
escorriam versos em minha epiderme
ah, tocar as palavras
sentir suas pétalas agudas entranhando se em mim
eu as vi!
vi suas constâncias artes
estas palavras que não me deixam
tautologias percorrentes
e num poetar ainda que disfarçadas
insurgindo-se pois têm vidas estas palavras
e gritei re-afirmando que se ocultem
ora, que voltassem para os recônditos dos dizeres da infância
ou aos beijos molhados da adolescência.
não viram que estou por outros caminhos?
gargalharam de minhas tolas meiguices
e tive desejos de agarrar e descobrir suas entranhas,
mas ressurgiram e insurgem-se semprequando as vejo ali estão cravadas e flutuantes
e mostraram-me seus dentes coloridos a rir-se
ah, minhas ingênuas desditas...
alternâncias sem pudores entres luz e sombra
e deixei por fim que chegassem a mim.
sussurrantes e irônicas..
ser! afoita transformação sem desdizer-me.
gemidos gentis volutando renasceres...
toquei a verde face de tuas palavras em rimas cúbicas
deliciei-me com nossos murmúrios ébrios
e descaradamente o poema segredante
timpanou meus sentidos em ácidos delírios
despertar-me em ânsias por chãos de papiro
e orvalhar meus dedos líricos
e num suspiro de verborragias oníricas
adormecer em meus descaminhos
poemento-me
poemento-me
eu
eu que sou
uma entre tantas
e de palavras sou
e de palavras vou
uma entre tantas
e de palavras sou
e de palavras vou
porque as Outras,
(sou tantas e ninguém)
sabem do medo
e de pudores
e faces rubras
e contêm-se
(sou tantas e ninguém)
sabem do medo
e de pudores
e faces rubras
e contêm-se
elas são-me
eu as sou
eu as sou
mas há em mim
essa febre
que se quer verbo
até que eu me encontre
no vento e na vertigem
de ser
essa febre
que se quer verbo
até que eu me encontre
no vento e na vertigem
de ser
eu, frente ao espelho
face tímida-lasciva
de mulher-menina
face tímida-lasciva
de mulher-menina
apetece-me
vestir-me deles
vestir-me delas
vestir-me deles
vestir-me delas
e em seus sentidos
eu sou o objeto
eu sou a posse
eu sou o objeto
eu sou a posse
a febre que é dele
a febre que é dela
a febre que é dela
em palavras desvendando-me
na nudez de todos nós
na nudez de todos nós
há também ele
mas garganta embargada
calei meus desejos
fiz-me quimera
mas garganta embargada
calei meus desejos
fiz-me quimera
Escrever as sombras
E eu que nunca havia pensando em escrever terror e horror, mas as histórias mais terríveis ( para mim) nem pedem pra ser contadas, simplesmente são, ainda que eu deteste a violência e de vez em quando, ainda tenha medo de olhar a escuridão.
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