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sideral

a beira do buraco negro mais vago
puro vácuo
da galáxia que nem mesmo inventei,
saltei.


assim foi, talvez

No escuro


No escuro

Por Tânia Souza


Suores. Tremores. A respiração dificultada pela mistura rançosa de madeira e desinfetante. Sim, ele era um monstro oculto sob a cama aguardando sua vítima. Deleitando-se com pensamentos corrompidos. Nem sempre fora assim, porém, viciara-se no sabor amargo, no escuro inundando-o até sentir-se horrendo a ponto do acre na garganta parecer-lhe sangue.
Os pés da moça no quarto. O coração acelerado. A saia branca revelando-lhe a pureza de velhos dias. A pele febril de possibilidades e o suor escorrendo.  Um monstro e o trêmulo prazer de sê-lo.
Olívia suspirou. O jovem paciente do quarto 210 escondia-se. Podia ouvi-lo respirando pesadamente, os pés aparecendo sob a velha armação. Inclinou-se, estendeu as mãos e o chamou. Ele sorriu. As mãos esconderam a agulha pontiaguda e o rosto delicado nada revelou sobre os pensamentos recentes.
Naquela noite, o monstro já estava alimentado.

Vingança sobre rodas



E quando ele disse, "vem ni mim dodge ram", os motores rugiram... sobre o asfalto, o sangue derramado era uma serpente queimando sob o sol.  Da esquina, o Plymouth Fury vermelho piscou os faróis, se afastando lentamente.

De(s)amor


De(s)amor

Uivos sangram a noite. Promessas de um amor em vão queimam sob o luar de prata.

Da série causos e casos de corredor II

Da série causos e casos de corredor

II

Dois ternos escuros sussurram no bebedouro: que sede de você.  Alguns passos e uma tosse depois, a esposa e a secretária. Dupla traição.

Da série causos e casos de corredor I

Da série causos e casos de corredor

I

Encontro inesperado na saída do elevador: no chão, entre pastas e arquivos , as fotos: a moça tímida dos arquivos, um chicote e o chefe...


Confete e carnaval

















Confete e carnaval I

Alegria de Pierrô e Colombina
Perdidas em trilce quarta-feira 
A realidade das máscaras em cinzas




Confete e carnaval II

Máscaras, tão perfeita sintonia
De face livre não me vejo
Espelho não reflete essência minha

Tristes I



por caminho: 
melancolia
esquecida estou
do azul
da fantasia
ah, sigo trilces vias

Despedida


Entre vapor e cor, o balão sumia no horizonte. Ela ainda acenava quando o fogo consumiu o azul.  

Instinto


A lua prateada ilumina um rastro de sangue e morte. O lobisomem atacou mais uma vez.

Vida extraterrena


Como um sonho, a aeronave pousou. As gentis boas vindas vaporizaram-se no ataque do visitante espacial. 

Arrependimento


Garganta e estômago em fogo. O coração já sarava, mas o ácido corroeu a jovem suicida.

Tarde demais


Era vermelha, a rosa. Mas a confissão do amor secreto perdeu-se entre outras flores no caixão.

1ª Temporada de caça aos bípedes


Cabisbaixo, o escorpionídeo confessa ao pai o fracasso: o humano na mira era apenas um filhote.

Era uma vez...

Sorriu quando o príncipe chegou. Mas suas tranças eram pesadas demais e ela já não sabia voar.

Game over

Colorida, a bola rolou. Sob engrenagens e vapor, a infância desfez-se em pétalas vermelhas na ferrovia.

Réquiem para Alyz

Sob o neon, ela se despe da pele. Entre óleo e sangue, andrógina melancolia no asfalto.

Dia de finados

O lamento ecoou no cemitério. Entre as velas que ardiam, a solidão do espectro sem preces.

Série SciFaiku I ao 12


Série SciFaiku

SciFaiku 1


— Nebulosa fria —
Numa galáxia distante
cyborg se encolhe.


SciFaiku 2
  

Sopra o vento cósmico 
transporta pelo infinito
a vida em partículas 

SciFaiku 3


 













Figura metálica

percorre todo o universo
— Contato imediato — 





SciFaiku 4



 











Trabalha um robô.
Ultrasson no lodo cósmico
faz dançar bactérias 

SciFaiku 5
















— Luar no canteiro —
Sobre o jardim hidropônico 
agitam-se os átomos

              

SciFaiku 6

 
              Prenúncios de vida:
              Nebulosa solitária
              A trinta anos-luz!



  SciFaiku 7

- Soluça um andróide-
Duras barreiras do tempo
Deixam solidão.

SciFaiku 8


    DNA da mente:
    Sentinela do futuro

    sonda pensamento
    SciFaiku 9

    Em busca do lar
    Asteróides no caminho.
    - Nave sem governo -



    SciFaiku 10

    Dias de ficção.
    Neste moderno cenário
    Faz-se nova vida.

    SciFaiku 11




    Lembre-se da rosa. 
    Energia nuclear
    Duvidoso lucro

    SciFaiku 12

    Massa replicante
    Das nanomáquinas fúteis
    Biosfera em pó

    Poeminhas felinos de um sábado qualquer


    No escuro
    eles brilham:
    Cílios em refletor
    Esse felídeo fofinho
    Já foi um grande caçador



    Travesso e avesso
     
    Ronda, roça, ronrona,
    Tem toque macio
    Felino que não se aprisiona.




    Soneca
    Olha a gatinha, que gracinha!
    Se contorce, espreguiça
    Do sofá se fez rainha 


    Alice

    O gatinho ria
    e
    aos 
    pedacinhos
    ...
    Desaparecia
    Pintura de 






    De(s)amores
     
    Psiu, eu te amo e você me ama
    Mas quando a estrada chama
    Gato sapeca não tem dona




    Das fofuras 

    Bolinha de pelo 
    Pretinha no chão
    Ganhou serelepe
    O meu coração


    Sapeca
    Gatinho gaiato
    Brincando de ioiô

        Bolinha de lã
    Aqui e ali

    E nos olhos da moça
    Mia mia alguma poesia.




    Travessuras felinas
    ronrona...
    rola,
    se embola

    cansado da festança
    afofa a almofada
    e faz dela sua morada