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Metanfetaedro

Chegou por aqui um livro que estava bem curiosa para ler, o Met... [ ahn, um instante para conferir e escrever corretamente ], pronto, o Metanfetaedro.

E por que estava curiosa? Eu gosto dos contos da Alliah, eles são super diferentes e ao mesmo tempo, carregam o que há de legal na literatura fantástica: não são comuns, banais ou realistas; mas dentro do estranhamento imenso que personificam, trazem pontos que poderiam ser reconhecidos em um passante qualquer desse universo conturbado que perambulamos . 

Ah, confesso, não conheço a literatura new weird, ( link para um texto muito bom no Mundo Fantasmo)  portanto, é na base do experimentar para ver o que há mesmo. Então, desde que vi a divulgação, quis ler.

Cheguei a conclusão que o que há é diversão.
E que não dá pra se divertir e sair como se chegou. 

E os personagens não são passageiros, ou seja, você pode "esquecer" deles, mas não totalmente, sempre deixam resquícios no leitor. É como a sereia do que o leitor encontra no primeiro conto do livro ... sintetiza o mundo ao seu redor, real ou imaginado, mas reinventando-o em sua própria pele.  O que quero dizer sobre os personagens como Iara, Mogul e Marmelo é que eles ficam, mesmo que você não os conheça tão bem, a autora consegue transmitir ao leitor o que possuem de melhor, ou pior, em essência. 

E dá uma certa exasperação, do tipo, como assim acabou? Mas eu queria saber mais dessa persona/máquina/coisa/cidade/esquisitice/sinfonia.

Então, você pode encontrar poesia, tristeza, melancolia, raiva, risos e muito, muito espanto. E eu gostei disso.
**

* As ilustrações são lindas.
* Na dedicatória, a autora sugeriu um " aprecie sem moderação", mas no meu caso já sei que será preciso ler Metanfetaedro em doses homeopáticas. Para aproveitar todas elas.

Uma vida em segredo


"Não vi mundo. Pouco vi. Mas li vidas em segredo. E dentro de mim, uma canção, tão absurda e sincera quanto Biela, ficou. Vismundo, então."

Minha pequena despedida ao autor de Uma vida em segredo, Autran Dourado. Que das páginas de um livro me trouxe o barulhinho bom da água fresca percorrendo o monjolo, de gosto do mel puro e do abismo insondável daqueles que nos parecem simples demais. Do espanto que nos causam os que insistem em, simplesmente, ser.
E conseguem.



Apenas mais uma dessas histórias meio tristes, meio absurdas, mas que comprovam o quanto a literatura nos faz bem.

Autran Dourado 
1926 - 2012

Todas as cosmicômicas - Ítalo Calvino


Você espera por mais um livro de contos, talvez, uma ou outra crônica, mas nestes contos ou cosmicômicas, escritos a partir de textos e conceitos científicos, a grande parte sobre fenômenos relacionados ao universo, ou à origem das cousas. E então, quando você menos espera, tudo a que estamos acostumados transforma-se, mergulhamos em um universo lúdico, fantástico, onde tudo é possível, espaços antes desconhecidos tomam formas e cores em seus contos, mas os sentimentos e conflitos abordados são humanos, demasiados humanos.


A narrativa de Calvino tem cheiro, sabor, som e cor, mas nenhuma dessas sensações são como as conhecemos e sim, reinventadas.

Qfwfq é o herói das cosmicômicas, testemunha ou agente principal da origem e das des-origens do universo. 

Humor, paixão, desejo, comunicação, solidão, disputas... permeiam as cosmicômicas.

Entre os meus favoritos...

"Um sinal no espaço": conflitos e egos, os desafios da comunicação e da interpretação. Ser e parecer confundem-se num universo em formação.

"Sem cores" Inquietante cosmicômica sobre a beleza( Ayl é encantadoramente linda e pura e o encanto que exerce em Qfwfq comove) sobre o espaço de cada um, onde o cinza predomina até que...

"A distância da lua" impossível comentar, somente apreciar...