Eu vejo nuvens
Nuvens febris
Pontilhados cinzas
Incendiados rubis
Eu vejo nuvens
Nuvens de fumaça
No azul que se de(s)ata
E por todos os recantos
Em cada face, um pranto
Por caminho, desencanto
Eu vejo nuvens
Nuvens frias
Traços em melancolia
Olhares amargurados
Solidão em nua rua
Horizontes dilacerados
Eu vejo o tempo Percorrendo os dias Dilacerando o verde Roubando a lua Vencendo o sol E nas sombras sob meus olhos Eu vejo o breu ferindo o arrebol
E são longos os gemidos das águas Desertificando a terra deslocada
E não mais vejo as nuvens Nuvens ensanguentadas Vejo o sangue dos olhos no espelho E nas minhas mãos E nas tuas mãos E nas mãos sedentas Que erguem-se Pedem e lamentam Perdida batalha Aos pés da triste Gaia